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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

The Happy Prince...

Há a tendência, quando se fala de filmes de animação, a considerar que se trata de algo exclusivo para crianças... tratando-se de trabalhar a partir de um conto em que os animais falam, ainda mais essa consideração de produto infantil se enfatiza; a verdade é que não é necessariamente assim.
The Happy Prince é um conto aparentemente infantil e assumidamente moral; acções e consequências!
Já li contos de Poe menos negros que este de Wilde. O tema é a prática do Bem, as suas consequências, a repercussão social desses factos. Perturbador?! A Moral é assim mesmo... fluída.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Arte digital, animações, software...

É maior a complexidade da produção das obras, do que aparenta a quem as vê concretizadas... e no fim de contas, as animações são cinema.

Podendo, trabalho sempre com software de uso livre. É, para além do factor económico, uma questão de coerência ética. Claro que é mais difícil do que fazê-lo com software de proprietário; sobretudo devido à falta de manuais adequados, e pelas pequenas carências que há que saber colmatar... Ainda assim, deriva de tudo isso, a enorme vantagem de obrigar o utilizador a uma postura activa; o que proporciona, a quem a tem, um conhecimento mais íntimo das matérias em causa.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Atitude e mudança...

Atitude a tornar-se forma... é conhecimento e decisão a concretizarem-se!

É o mundo a mudar-se, em cada pessoa que se muda. E é o único modo que conheço dele se mudar de facto.
Revoluções, são mais mudança de aspecto no paradigma, do que dos arquétipos que o sustentam. As grandes mudanças, as profundas e duradouras, fazem-se por pequenas concretizações formais da atitude.

sábado, 27 de junho de 2009

Senhores da verdade...

É ridículo ver as pretendidas e pretensiosas autoridades intelectuais querendo estabelecer e fixar o exacto e definitivo sentido da obra de um artista. Atribuírem-se a si, a autoridade de saber o que queria de facto o autor quando fez isto ou optou por aquilo. Quando o artista cria uma obra, faz o que sente e o que quer, mas simultaneamente, disponibiliza um suporte catalizador de pensamentos e emoções onde os fruidores dessa obra (todos e cada um) colam o que sentem e o que pensam, na qual se projectam e com a qual estabelecem um diálogo e uma história pessoais... isto se a obra o cativar, claro.
Para que as tais pretensiosas e pretendidas autoridades possam exequir com verdade esse papel que se atribuem, terão primeiro de criar obra, e depois sim, falem do que fizeram e fechem e empobreçam à vontade o resultado da sua criatividade; porque então serão verdadeiros, pois serão juízes a julgar em causa própria.

Como dizia o Almada (citado de memória): apresente cada um o que tem para apresentar e deixe-se de comentários!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Clonagem intelectual...

Lês os jornais e admiras tudo do princípio ao fim
e se por desgraça vem um dia sem jornais,
tens de ficar em casa nos chinelos
porque nesse dia, felizmente,
não tens opinião para levares à rua.

Almada Negreiros - A Cena do Ódio



D. Quijote


A defesa da diversidade começa no incentivo à opinião própria, não necessáriamente diferente, mas gerada com base na ponderação pessoal dos factores conhecidos e em análise. Esse é, de resto, o gesto fundamental da liberdade.
É BOM ser um espírito livre!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Arte, censura, e os factos da vida...

A arte...
Fernando Pessoa, sentado imperturbável na esplanada da Brasileira do Chiado, será provávelmente uma das esculturas mais fotografadas... eventualmente a grande parte das pessoas desconhecer-lhe-á o autor; Lagoa Henriques; que desapareceu recentemente do mundo... ficou a obra! Resultado do desejo e procura da "harmonia possível". Para Lagoa Henriques, filosofia, estética, ética e poética, informavam a obra de arte...

Os factos da vida...
Em Braga, por estes dias, a polícia apreendeu, numa venda de livros, um livro cuja capa reproduzia uma pintura de Courbet (fim do século XIX); a razão: conteúdo definido como pornográfico e que incomodava alguém... cada qual avalia as coisas pelo que ele próprio é. E subsiste o facto de o eventual incómodo de poucos ser razão suficiente para a privação de muitos.

Censura...
É mais fácil encolher a liberdade que expandi-la; e também aqui tem pertinência o :Quando lux eius incipit apparere, silicet in aurora. Pois é... as grandes tempestades anunciam-se por pequenas brisas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O verdadeiro artista...

O verdadeiro artista... é uma expressão tão comum quanto peculiar. Na verdade não se diz: o verdadeiro médico ou o verdadeiro advogado. Dir-se-á isso sim, o bom médico ou o bom advogado. O verdadeiro artista - é específico do meio artístico (seja em que área for). Aqui já não se classifica o profissional de bom ou mau, mas antes, de verdadeiro ou falso; e o interessante é que instaura, reconhece e aceita, desde logo, a existência do falso artista como coisa banal. A normal hierarquia valorativa de bom a mau, usada na avaliação das restantes profissões, não põe em causa o essêncial, que é: o que se é (médico, banqueiro, pedreiro, professor,...). Porém, no caso dos artistas, a distinção não se faz em termos de qualidade, mas sim no próprio domínio do ser/não ser.

Particularidades da arte...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Academismo...

No meio das artes plásticas, há uma certa propensão para pensar no naturalismo do fim do século XIX, sempre que se fala de academismo. Que o era de facto nessa época, opondo-se aos diversos ismos que então eclodiram, e dominando as escolas de arte/academias (de onde lhe vem o nome), é verdade. Mas academismo não é estilo particular; academismo é status!
Qualquer que seja, o ou os paradigmas academizados, será sempre, como modelo institucionalizado, retrógrado e obstáculo da mudança.
Hoje vemos atitudes e conceitos que foram experimentais nas primeiras décadas do século XX, eternizarem-se academizados; desempenhando a função contra a qual então se rebelavam; impedindo atitudes diferentes e renovação conceptual. O que pensariam Duchamp, Klein, Pollock, ou Fontana, para referir só alguns, da institucionalização/academização dos seus "actos"(?); verem os seus gritos de revolta contra a asfixia do status dominando as escolas de ensino artístico , tornarem-se agora naquilo contra o que eles próprios se revoltavam: estagnação e impedimento da diferença (que é a verdadeira significação de academismo).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tolerância/Respeito...

D. Quixote - pedra e metal

As sociedades contemporâneas (ao menos nas democracias) caracterizam-se pelo convívio da diferença (de opinião, raça, religião...); assim, encontramos entre os conceitos políticamente correctos o de: Tolerância.

Ora acontece que tolerância significa: condescendência, indulgência, permissão, paciência. O conceito de tolerar, pressupõe, pois, uma atitude de superioridade (suporta/tolera isto ou aquilo...); aquele que é diferente é então pacientemente condescendido pelo que domina (...as atitudes que dominam). Neste aspecto, vai melhor o mandamento que diz, mais ou menos, ama o teu próximo como a ti mesmo - ou seja neste caso: respeita as particularidades dos outros como queres que os outros respeitem as tuas. Na tolerância há superioridade e domínio. Ser tolerado é ser inferior. Ora não me parece que alguém goste de se ver tolerado; nem vejo dignidade em tolerar. Só no Respeito há igualdade. Respeito sim! Sem pré-condições... direito e dever à diferença individual.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Quando as atitudes se tornam formas... / When the attitudes become forms...

(The forms are the visible part of things. But under the forms exist the contents; which are, indeed, attitudes. The attitudes are the result of concept and of free will... and define our form.
The same to the artistic works.)

A forma é a parte visível das coisas. Sob as formas, há os conteúdos... que as definem. Conteúdos não são senão atitudes. As atitudes resultam do conceito e do livre arbítrio; das ideias/opiniões, e do modo de pô-las em prática. As nossas atitudes definem a nossa forma, e isso é tão verdade para os homens como para a arte...

Nos votos de Ano Novo de um amigo, vinha inserta esta citação do padre António Vieira (1608-1697), que aqui partilho, e cuja efeméride de 400 anos do nascimento se deveria ter comemorado no ano que acabou; mas que foi como se não fosse, para não deslustrar o que de pior há em nós, portugueses. Mas o padre António Vieira, português, era Lusitano na forma! Por isso, não há pequenez que lhe reduza a grandeza. A citação:

O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa.

Viver é uma obra em concretização...
...que venha de lá o novo ano!