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terça-feira, 3 de março de 2009

Eficácia versus criatividade...

Parece existir uma aparente incompatibilidade entre a função artística e a eficácia social... tradicionalmente, o artista é ocioso e boémio; o cidadão comum, trabalhador e respeitável.

A criação artística, interiorizados e dominados os parâmetros técnicos (teóricos e práticos), alicerça-se na contemplação dinâmica e disponibilidade mental para o subjectivo. A eficácia social depende da fixação de objectivos, calendarização, execução exacta, restrição à função específica, para o normal funcionamento do todo. Extrapolação, derivação e improviso, são entraves ao bom funcionamento dos sistemas programados; porém, condição essencial ao desempenho criativo. A eficácia da máquina social deriva da observância de padrões; para o artista, é o exercício da satisfação e do livre arbítrio que determina os resultados.

Felizmente que arte e artistas são parte do tecido social, e desempenham, apesar da aparente contradição, a função de harmonização e apaziguamento das tensões do indivíduo consigo mesmo e com o todo social.




Expulsão do Paraíso (pormenor), óleo sobre tela

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Estereótipos e ideias feitas...

As ideias feitas, baseadas em pressupostos altamente subjectivos e interiorizadas como verdades inquestionáveis pela força da repetição, são como cancros que impedem o livre desenvolvimento dos itens que abarcam. Isto, a propósito da peregrina ideia, que garante a excelência da língua alemã para o âmbito da filosofia; enquanto que o nosso português será bom para a poesia! Quanto ao assunto da poesia, a verdade é que há poesia em todos os idiomas, e não vejo em que possa ser a dos portugueses melhor... Quanto à filosofia, acontece que não se filosofa com a língua, mas com o pensamento; e se o pensador tem ideias claras e domina a língua em que se exprime, essa língua (seja ela qual for), é adequada à filosofia. Assim a qualidade dos pensamentos esteja à altura das capacidades comunicativas das diversas línguas.
É que os meios, são "só" meios; o essencial é a alma!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As obras de arte...


Enquanto objecto que se materializa em época e contexto específicos, a obra de arte permite, naturalmente, a elaboração de discurso sociológico sobre o tempo que a viu nascer. Mas isso, nem é exclusivo da obra de arte, nem tampouco é suficiente para legitimar um qualquer objecto, como obra artística. A capacidade de gerar discursos, sociológicos, políticos, ecológicos... não é característica dos objectos, é necessidade dos homens. Neste particular, o que pode diferenciar as obras de arte, dos restantes objectos, é a sua abrangência intencional, a atemporalidade e a riqueza semântico/simbólica; são o que lhes dá alma e existência autónoma.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Arte digital - C. G. I.

Imagem Gerada em Computador...

Há mais ou menos meia dúzia de séculos, o aparecimento da pintura a óleo originou mudanças enormes no universo da produção pictórica. Hoje, as técnicas de geração de imagem em computador – C G I, assumem, no mínimo, semelhante importância.

As mudanças são enormes. Não só no aparente, mas sobretudo no que concerne às condições de produção, e aos âmbitos da divulgação e propriedade. A hiper valorização das dificuldades técnicas, talvez afugente muitos artistas deste novo meio, mas é mito e papão sem consistência verdadeira; porque se muda o meio, os métodos, o suporte... a essência mantém-se: continuam a ser cores, linhas, manchas, volumes… e espaço! Persiste o fundamental; e o fundamental é: o que se tem para dizer, e a criatividade com que se diz

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sociedade e Arte...

Talvez a eficácia dos sistemas de organização social seja directamente proporcional ao desenvolvimento humanista da espécie. Assim não será de estranhar a dinâmica desagregadora que nos envolve.
A filosofia de Engels e Marx preconizava, graças ao advento da mecanização nas actividades laborais, um incremento da quantidade de tempo disponível para a “cultivação” do espírito; já que as tarefas se concretizavam, com a ajuda das máquinas, muito mais rapidamente. A verdade é que ganhou a ECONOMIA/ganância, e perdeu a humanidade. Os homens continuaram a trabalhar o mesmo número de horas, a quantidade de objectos produzidos é que aumentou; daqui à sociedade de consumo foi um pulo! E o futuro que se adivinha na evolução desta tendência é pouco prometedor. A sociedade de consumo baseia-se em dinâmicas de novidade (não de fruição dos conteúdos), e consequentemente de desperdício.
É deprimente ver o resultado dessa postura nos meios ditos intelectuais; e como a produção artística não está desligada das realidades sociais, também aí chegou a superficialidade e o lixo…
Há diferença entre obra de arte, e objecto meramente decorativo! Há diferença entre artista, e assunção de estatuto social de artista!
Será a natureza dominante nos homens, a de conspurcação de tudo?!É que as máquinas e as tecnologias, em si, não são boas nem más… são o que são; a finalidade do seu uso determinam-na os homens.
Não seria tão bom, por uma vez que fosse, pôr-se de lado vaidade e ânsia de poder, e ver as máquinas e as tecnologias usadas para a melhoria da vida e elevação do espírito de todos os homens?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Escultura em vidro...

Termomoldagem...

A termomoldagem é uma técnica de trabalho do vidro pouco complexa e relativamente acessível, embora essa facilidade não obste em nada quanto ao seu potencial e versatilidade criativa.
Basicamente o processo é simples: sobre um molde previamente preparado, coloca-se uma placa de vidro plano (por exemplo, o vulgar vidro de janela); em seguida coloca-se o conjunto no forno eléctrico (mufla para cerâmica). Submete-se então o vidro a uma temperatura de incremento da sua plasticidade, que varia de acordo com cada vidro e situa-se entre os 750 e os 900 graus centígrados, durante o tempo necessário à assunção da forma do molde, e que é muito rápida. Depois é deixar arrefecer normalmente, e espantar-se com o resultado!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Arte e técnica...


Nas disciplinas artísticas, como em tudo na vida, o conhecimento é fundamental. A ignorância gera a mediocridade.

O conhecimento das técnicas é decisivo para o artista; sabendo-as, e dominando-as, pode então "refazê-las", e adequá-las às suas necessidades expressivas... sem limitações ou constrangimentos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O regresso de: As Musas...

A exposição do MAVA inaugurou; e Knight of Love, ocupa o seu lugar natural.

O livro Arte de Furtar - Devolução da autoria, foi publicado, apresentado e corre normalmente, no sentido da sua concretização.

Agora regresso a: As Musas, de novo em entrega integral... (pelo meio veio imiscuir-se um projecto de ilustração infantil; é bom para contrabalançar a tecnologia!)
Proximamente verá o poeta Ramos Rosa as suas minhas Musas; mais tarde, algo transbordará para este espaço...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Arte e sociedade...

As obras de arte chegam ao convívio do público por mediação de agentes específicos: programadores e curadores, críticos, galeristas, editores… É normal! Acontece porém, e não há aqui qualquer intenção depreciativa, haver diferenças ao nível da produção artística que influenciam a acção desses mediadores. Simplificando a questão, direi que há obras que difundem e ou aprofundam modelos estéticos já aceites socialmente, e outras que propõem novos modelos e abordagens. Este facto condiciona amiúde a apreciação e escolha dos agentes difusores da actividade artística; na maior parte dos casos bem informados e aptos a reconhecer e diferenciar níveis qualitativos, embora geralmente só das soluções caucionadas socialmente. Confrontados com abordagens estéticas e morais divergentes dos cânones contemporâneos, o cenário muda. Sem a segurança do apoio legitimador externo, só poucos conseguem lidar com o assunto e discernir por raciocínio e sensibilidade próprios. Entre esses, alguns têm a capacidade para ver mais além do imediato, e do comum. São os que propiciam a mudança e a renovação; que não se faz pela repetição de modelos gastos, mas antes pela introdução de descontinuidades.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Arte de Furtar...


Nascido há 400 anos, António Vieira foi um verdadeiro Lusitano, ou como escreveu Inês Pedrosa, "... um homem sob o signo da luz. Definiu-se e ardeu: «Definir-se e arder, isso é amar», escreveu. Assim haja, em Portugal, quem saiba ler as suas palavras de fogo - que ainda hoje distinguem, e definem, e queimam." (in Visão, 31/01/2008).
Em 2007, escrevi o retrato psicológico romanceado (A Senhora das Rosas), do padre António Vieira. Aproveitei então, no decurso do trabalho de pesquisa, investigação e análise, para coligir igualmente o material necessário à concretização de um projecto que, pelo menos desde 2005, desejava realizar: a evidenciação da legitimidade autoral do padre António Vieira, da Arte de Furtar. No mês de Fevereiro deste ano, dei forma definitiva ao texto - Arte de Furtar Devolução da autoria. Apresentei-o para publicação à editora Fronteira do Caos, que eu desejei desde o início como parceira natural neste projecto ( dado que publicou em 2006 Arte de Furtar, não renegando o padre António Vieira como seu autor). A recepção foi entusiasta, a concretização exemplar, total o empenhamento do editor - Dr. Victor Raquel, em todo o processo.
Agora o livro está disponível nas livrarias, e concretizado assim o que considero um dever de cidadania e um acto de justiça.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Escultura em vidro...


Como matéria, o vidro é uma rocha; com uma base inequívoca de sílica, e variações na restante composição que poderá ser mais sódico-potássica, borática, ou plumbea. Residualmente, diversos óxidos metálicos coloram ou anulam colorações.

Assinalável, nos vidros, a capacidade de reciclagem; cada pedaço de vidro usado, pode sempre ser fundido para integrar uma nova utilização.

O vidro permite um amplo espectro de métodos operativos, e é trabalhável quer a quente quer a frio. A quente, há a tradicional sopragem; mas pode igualmente ser modelado com recurso a pinças, termo-moldado, ou fundido (seja em caixas de areia ou em moldes cerâmicos). A frio, trabalha-se por recurso à talha com máquinas e ferramentas abrasivas, como se faz com a pedra. O uso de escopro é igualmente possivel, embora com parcimónia e grande conhecimento; métodos de decapagem, ácido, e as modernas técnicas com água e com laser, são igualmente utilizaveis.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A "moda" depressiva...

Instaurou-se desde há décadas, no meio artístico, e vem-se agudizando, uma espécie de moda dos conteúdos agressivos e deprimentes; sobretudo nas “artes institucionalizadas”. Como se se proscrevesse o desejo de bem-estar mental e de felicidade, o belo, e o bem.

Tal realidade serve a quem serve. Será talvez um bom modo de domesticar o anseio de liberdade e concretização humana; mas a verdade é que, em última análise, conduz só ao niilismo, desespero, e auto destruição.

A vulgarização e o convivio com violências, estropiamentos, e comportamentos depressivos, em momentos e locais em que se procura precisamente o oposto, leva à aceitação passiva dessas situações; e até, à sua prática, como comportamento socialmente correcto, normal, e até expectável.


Regimes políticos e modelos socio-económicos, são criações humanas; não são inevitabilidades. Os homens têm intrínseca a capacidade do livre arbítrio, e só deles depende o modo como vivem, seja individual, seja colectivamente.



quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vidro, escultura...

O vidro é um material de excepção! É um suporte escultórico único. Os vulcões, geradores primordiais de rochas, fornecem-nos vidros em parcas quantidades; esta é, sobretudo, uma rocha de origem humana.

Dominando o processo desde a própria criação da matéria, o escultor tem toda a liberdade; desde a transparência ou opacidade do material, à sua coloração. Ao nível das técnicas, dispõe de um espectro tão amplo, que vai da fundição até à talha com ferramentas abrasivas, passando pela termomoldagem (a sopro ou em forno).

Muito me espanta, que com tantas potencialidades, o vidro seja tão pouco usado pelos artistas, sobretudo escultores. É verdade que não é tecnologicamente simples; mas não é pressuposto os artistas gostarem de desafios? De facto, quanto maior o desafio maior a satisfação da concretização.
Voltarei ao tema.

sábado, 27 de setembro de 2008

Ontology and Aesthetics of Digital Art


No Vol. 66 – nº2 da Primavera de 2008, a revista The Journal of Aesthetics and Criticism, publicou um artigo assinado por Paul Crowther intitulado Ontology and Aesthetics of Digital Art.
Neste escrito pretende Paul Crowther mostrar a importância da arte digital, como ampliador de possibilidades e de soluções estéticas. Porém, a argumentação deriva-se-lhe para “the possibilities presented by the foundational contour-mass áxis of the pictural”, que os “digital Works had reopened”. Do que anuncia no título, para além das evidentes particularidades operativas, que podem justificar o Ontology, nada mais. A importância estética e criativa, atribui-a a características operativas e difusoras, como a aparente a-espacialidade das obras, a reprodutividade sincrónica e a simultaneidade geográfica; e ainda a interactividade.
Em termos absolutamente razoáveis, um trabalho de arte digital, resume-se a um ficheiro de texto em idioma de programação; em termos práticos, esse ficheiro inicial é visualizado sob a forma de imagem bidimensional materializada no ecrã, impressa num suporte, ou sendo objecto tridimensional, materializado por via de impressoras 3D. Absolutamente diferente das técnicas gráficas tradicionais, é verdade; mas em termos de fruição e de avaliação estética, exactamente igual às outras disciplinas (pintura, desenho,…). Técnicas e registos não são linguagens. Ainda que produzidas por métodos inauditos, as imagens computacionalmente geradas, sujeitam-se, grosso modo, às regras fundadoras da linguagem gráfica e pictórica.
Coroa Paul Crowther o seu artigo com “offer a kind of purer, more absolute illusion of the three dimensional itens and state of affairs”. O omnipresente equívoco do realismo a manietar-nos; quando a definição e finalidade da arte não é simular/reproduzir realidades, mas sim criá-las, com todo o irrealismo que daí possa advir.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

artistas, galerias, exposições...

artistas...
No que concerne à produção artística, vivemos tempos de enorme permissividade. Penso que não deve ter havido nunca tanta diversidade, quantidade, contraste, como há no tempo que vivemos.

galerias...
Os tempos mudam-se; as condições sociais e económicas alteram-se. Deveriam, também, alterar-se as metodologias de concretização do objectivo social, destes agentes culturais. Arcaizado o paradigma fundador, mudado o modelo sócio-económico, há igualmente que saber readequar as dinâmicas operativas. Estatismo, desconcerto, procura de novos paradigmas e dinâmicas, tudo existe.

exposições...
A exposição do trabalho do artista activo, deve constituir um acontecimento (com o que o conceito implica de novidade e surpresa). Coerência de linguagem, não significa auto-reprodução de modelos ou receitas; continuidade de trabalho e regularidade expositiva, não pressupõe assiduidade frenética.
Claro que há também as necessidades institucionais de veiculação dos conceitos estéticos dominantes, e um "mercado" a alimentar; mas isso não será necessáriamente arte.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Estética e sociedade...

O domínio da estética, e do gosto, não se reduz nem esgota na produção/fruição de obras de arte; manipulados, são importantíssimos para a economia e para a política. Na avaliação do estado mental das sociedades, não é pois escamoteável, bem pelo contrário, a ideologia estética vigente. A estética "educa" o gosto; o gosto legitima opções.
As implicações da ideologia estética e do exercício do gosto, são mais vastas, e porventura devastadoras, do que possa parecer à primeira vista. Não é por isso estranhável, a relação directa e reciproca entre o que se vai produzindo/divulgando institucionalmente, e a decomposição moral da sociedade.

Factor positivo: a cada degenerescência corresponde uma emergência.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Algoritmos e abrasivos...

Maior a sofisticação das máquinas usadas, maior o risco de nos deixarmos enredar nas suas lógicas operativas, e, nas suas concretizações vulgares. Mas estabelecidas e consciencializadas as hierarquias do processo de criação artística, tudo ocorre com a harmonia necessária à consecução do objectivo definido; e o espectro das possibilidades expressivas é ampliado pela adição das novas capacidades do meio digital e da geração de imagem por computador.
Para trás ficaram anatomias e metabolismos, lógicas de programação, algoritmos e comandos do diverso software a utilizar. Segue-se o tempo da concretização: definição dos conteúdos; modelação dos objectos em 3D, com as suas semias (e em alguns casos simbolismos); elaboração das ambiências e conjugações propiciadoras de ambiguidade… Em termos práticos, a exploração dos objectos e cenas criados em 3D, faz-se pela fixação “fotográfica” dos enquadramentos e iluminações pretendidos; posteriormente retrabalhados ou não.

O tempo, daqui para diante, é o d’ As Musas! Sem algoritmos nem abrasivos, nem máquinas, nem ferramentas; tudo relegado para o lugar natural que lhes compete, sem protagonismos, só operatividade. Agora, é o tempo da criação/concretização; inviolávelmente íntimo.

domingo, 31 de agosto de 2008

Algoritmos e abrasivos...




Aprender um novo meio, com todas as suas especificidades técnicas, é como fazer, solitário, a travessia exploratória de um continente novo. É uma viagem feita de avanços e de aparentes recuos, de experimentação, de dúvidas; e no fim, a indizível felicidade da concretização.
Verdadeiramente, o conhecimento/domínio de um meio, corresponde menos à exaustão cognoscível de todas as suas possibilidades, do que ao ponto em que o dominamos de tal modo, que a “novidade” possível, desse meio, decresce para níveis residuais, e a repetição se instala e generaliza. Não é mau! É até mesmo necessário.
A perfeição natural previu a existência dos tipos psicológicos necessários para cobrir a totalidade do espectro: uns mais “nómadas” e atraídos pela vertigem do diverso; outros mais “sedentários” e amantes da estabilidade e das certezas.

…e assim se mantém o equilíbrio e a vitalidade. A novidade constante, geraria a instabilidade e o caos, pela impossibilidade da habituação e inexistência de referências; a exclusiva replicação de modelos, levaria à estagnação e à extinção, pelo excesso de estabilidade. È na inter relação dinâmica de ambos que se define a dialéctica da mudança.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Algoritmos e abrasivos...

Na criação de uma obra de arte, três factores se conjugam e se inter condicionam: conteúdo/mensagem, forma/composição, meio/técnica. Desde o primeiro momento da concepção até aos últimos gestos da concretização, eles inibem-se e catalizam-se alternada e reciprocamente, ainda que sem lógica predefinida, e com enorme aleatoriedade.
Por vezes, as técnicas, com as suas potencialidades e “perfeições”, impõem-se-nos tão omnipotentemente, que damos por nós submergidos nas suas evidências como se fossem inevitabilidades; e atribuímos-lhe o que só a nós pertence: a definição do resultado a obter.

Se fosse a exacta aplicação das definições técnicas, o que define uma obra de arte, então já há muito teríamos sucumbido a um mundo de exclusiva clonagem estética e cultural. A exactidão e rigor da técnica, é apreciável ao nível da produção de equipamento quotidiano diverso; mas não determinável ao nível da criação de obras de arte.

Talvez a criação artística, seja o reduto mais recôndito do exercício do livre arbítrio e da concretização da diversidade poética.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Um homem do tamanho da Humanidade...



Há 400 anos (6 de Fevereiro de 1608) nasceu em Lisboa um dos homens mais notáveis do seu tempo; e não só! O nome: António Vieira, padre jesuíta.
É natural, saudável e desejavel, que os povos exultem e se orgulhem com os que, de entre o colectivo, emergem e se destacam pelas suas qualidades. Nas comunidades nacionais, os êxitos do individuo são êxitos colectivos (isto é válido para os desportos, onde mais fácilmente se verifica, mas também para a cultura).
O padre António Vieira foi filósofo humanista; compreendeu e ensinou a amplitude e dinâmica da alma humana. Penetrou fundo os arcanos da espiritualidade e da transformação moral do Homem.
O padre António Vieira realizou a obra e concretizou-se. Calá-lo, ou reduzi-lo, não é uma perda para ele, mas sim para nós.