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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

I can do anything...

Pois é... há o que muda, e o que prevalece; que me parece sempre maior do que qualquer mudança.

Cá nesta Babilónia, donde mana
matéria a quanto mal o mundo cria;
cá onde o puro Amor não tem valia,
que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

cá, onde o mal se afina, e o bem se dana,
e pode mais que a honra a tirania;
cá, onde a errada e cega Monarquia
cuida que um nome vão a desengana;

cá, neste labirinto, onde a nobreza
com esforço e saber pedindo vão
às portas da cobiça e da vileza;

cá neste escuro caos de confusão,
cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!


(Luis Vaz de Camões
)

...mas como dizia o Jim Morrison: I am the lizard king / I can do anything...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

...arteLisboa!

Por estes dias, visita à ArteLisboa...
(...)
devoir oblige!

É linda Lisboa; uma princesa.

The Happy Prince entra agora na fase de construção e animação em computador; depois das várias planificações, gerais e particulares, e da interiorização do workflow dos diversos softwares a utilizar.
Com um lápis, uma rebarbadora, ou até mesmo um forno para fundir vidro, mais do que os "condicionamentos/limitações" do meios, condiciona-nos:
- o domínio que temos (ou não) das suas possibilidades, para podermos retorcer a maneira correcta e chegarmos ao que queremos,
- o saber o que se quer (...a arte não é para almas incertas),
- e, sobretudo, os preconceitos generalizados.
Com o cinema de animação não é diferente.

Porque será que vulgarmente se associa filme de animação, a bonecada e coisas para crianças?!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sabedoria...

Num documentário a propósito do poeta António Aleixo, depois de dar testemunho da consciência que tinha o poeta do seu próprio valor, concluiu o indivíduo - que privara com António Aleixo - "... o problema quando aparece um grande é que os outros são mais pequenos e não o compreendem." (mais ou menos isto, que não fixei textualmente.)

Filosofia profunda. Sintética e sem floreados. Isto, é sabedoria!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

"Todo o mundo é composto de mudança..."

Beatriz a sonhar Dante - CGI
É comum ouvirmos, ou nós próprios dizermos, que se vive num mundo em mudança. É verdade! Mas mais uma vez, esse é somente um "reconhecimento" superficial e sobretudo circunstâncial. O facto é que continuamos, como se nada mudasse, a querer que as coisas funcionem (ou continuem a funcionar) como se não tivesse ocorrido alteração alguma. Ou seja: o mundo muda... mas nós não queremos mudar. Acontece que aquilo que no mundo muda, é só o que ocorre ou deriva das sociedades dos homens (custa-me usar humanas).
No que concerne às artes, parece-me que há uma série de situações e instituições (lato senso) que precisam de ser redefinidas (enterradas algumas). Desde pelo menos o meio do século XX, que a postura dominante é de questionamento; hoje, questionar é um academismo estéril, e tornou-se um fim em si. Questionar só tem sentido se servir para concluir algo e seguir em frente - MUDANDO!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Deambulações...

Há alguns dias atrás, manifestava-me um amigo a sua dificuldade em compreender a minha não-fixação num único meio, e nem sequer numa única disciplina; passando para outra diferente quando, "...o que deverias era optimizar o know how e construir uma imagem para o mercado, porque é assim que se obtém reconhecimento e fama." (Palavras desse meu amigo, ipse verbis!)
Da fama disse Herberto Helder: O prestígio é uma armadilha dos nossos semelhantes. Um artista consciente saberá que o êxito é prejuízo. E talvez diga eu algo noutra altura. Quanto à minha derivação por entre técnicas e disciplinas... a mim parece-me natural. É exercício de liberdade, e resulta da minha concepção de artista e de obra de arte. Desde menino que eu soube que era artista... e quis sê-lo. Mas ser artista é criar... que, para além da auto satisfação, não garante nada, sobretudo fama contemporânea!
A mim, o que importa é o exercício da criação, a procura de soluções, a experimentação e aprofundamento da imagética e ideário pessoal; que é o contributo que o artista dá ao mundo. Então, se é à arte digital e ao cinema de animação que o meu desejo me leva (como antes à pintura, à escultura em vidro, à gravura...), porque não trabalhar aí?! Porquê ficar o resto da vida a repetir soluções já encontradas, e não questionar noutras disciplinas? Afinal nem sequer chego a saír do universo das artes visuais. É só outra direcção possivel na imensa encruzilhada; e mesmo nas disciplinas ou técnicas já abordadas, se novas questões se me puserem, a elas voltarei então.

Claro que eu sei que vivo numa sociedade que é sobretudo consumista; e que, constituída por milhares de milhões de consumidores, precisa de muitos objectos semelhantes, para que muitos deles possam possuir pelo menos um. Acontece que essa não é seguramente uma preocupação minha. Para isso há as réplicas e os replicadores.

Compreende-se o mundo por projecção do que somos; entende-se melhor o que nos é semelhante. Não é fácil compreender a diferença (que sempre nos será exterior), mas que ela existe... existe!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Quem cita, refere; quem copia, oculta...

A originalidade é um movimento do particular para o geral; o contributo do indivíduo para o enriquecimento da família (de formas e ideias) a que pertence...

da série O Físico Prodigioso (no primeiro plano cito A morte de Marat)


É tão natureza a árvore, o pássaro, ou a pessoa, como o é a Madona do cravo, Os Lusíadas, Guernica...
...e assim o artista usa o que há, e só inventa o que não existe. As obras dos nossos antepassados (distantes ou recentes) fazem parte da natureza e são tão utilizáveis como todo o resto; pelo que, a citação é um acto natural, ou, como gostarão de dizer os Darwinianos, um acto evolutivo.
Quem cita, apropria-se acrescentando algo mais. Quem copia, rouba.
Só a autoconsciência da mediocridade induz à cópia, pretendendo a ocultação da origem, e limitando-se à tentativa da reprodução estéril. E é válido para tudo... sejam formas ou ideias.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Consciência...

Genéricamente, o drama dos homens deriva de serem conscientes; o grande drama do artista intitucional(izado) é igualmente a consciência. De facto não é por se ocupar o espaço quase todo, que para eles sempre é escasso (ainda mais nos países de pequeninos... exíguos de espaço, e muitas vezes de realismo e bom senso!), que se garante a importância da obra; da pessoa sim! não da obra (se não valer pelo é). Garantia ainda menos segura da perenidade da coisa, é a autodeclaração da imortalidade do que se fez. Mas enfim, cada um salva-se como pode!

domingo, 27 de setembro de 2009

Mudança...


(frame da animação Estavas linda Inês...)
Na redefinição hierárquica das disciplinas que uso na criação artística, assume agora o lugar principal a geração de imagem em computador (CGI), a par com a escrita.
A pintura, a escultura, o desenho ou a gravura... continuarei seguramente a utilizá-las, mais espaçadamente e em menor quantidade, talvez.
A magia alquímica da escultura em vidro, essa persiste intacta... ( não desaparece nunca!) talvez só à espera de um desafio que eleve a temperatura da alma aos 950ºC.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quotidianos...

E bom passear no bosque; partilhar rotinas alheias, quotidianos diversos... diferente som da linguagem.
Nas sociedades de dominante colectivista, os individuos reputam como orgulho de toda a comunidade, as concretizaçoes de cada membro. Nas sociedades de dominante individualista, os individuos sentem as realizaçoes de todos os outros como sendo fracassos seus...

"Estado", sao as pessoas todas que constituem um colectivo/naçao; os governos sao as pessoas a quem se confia a gestao dos bens e negocios de todos. A qualidade dos escolhidos reflete a alma dos escolhedores.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Beslan...

Não há limites para a infâmia!
O tempo vai-se acumulando... e esbatendo a memória da vergonha que se passou em Beslan. Morte de crianças, não há tempo que apague!
"Evolui" o Homem... mas não cessa de haver, com nomes diversos, esses eventos hediondos.

Pintei Stabat Mater na sequência desse triste episódio de exponenciação da miséria moral.


domingo, 30 de agosto de 2009



A alguns amigos, surpreende ou causa estranheza, o modo como migro entre as diversas técnicas e meios que uso para realizar os meus trabalhos; sem me fixar numa formula nem rentabilizar numérica e financeiramente, as soluções que vou alcançando.
Modos de ser

É só porque a mim me agrada mais a dinâmica da procura das soluções, do que a aplicação das formulas já testadas...




As sociedades precisam de ambos os tipos de atitude; maioritáriamente das posturas que garantem a contínuidade da ordem estabelecida, e a suavidade das mudanças, quando inevitáveis. Das atitudes diferentes precisa também, para não estagnar. Por isso as tolera... à distância e com contenção!















terça-feira, 25 de agosto de 2009

Lisboa transcultural...

A.M. Lisboa: Plataforma transcultural para o século XXI?

A grande dinâmica e eloquência da apresentação dos objectivos e início do processo, foi adequada à criação de correspondente dimensão das expectativas. A ideia é boa... a necessidade e oportunidade inquestionável; os tempos de concretização é que me parecem lentos... mas enfim, sublinho o parecem-me, já que não há divulgação de informação.
Ficou claro, durante a série de conferências, que uma iníciativa com a dimensão e abrangência como a que se pretende neste caso, depende grandemente da capacidade de inclusão e inovação criativa, e também da mobilização e colaboratividade entre todos os que de algum modo possam integrar e enriquecer o universo implícito. Por isso, penso que não caberá aí, se se quer o sucesso do projecto, a tradicional estratégia de segredo e amiguismo... Divulgação, sinergias, integração positiva da diferença, serão talvez a chave do êxito.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Novidades?! ou somente coisas que haviamos esquecido?

Há coisas que são comuns aos homens de todas as épocas: o bem e o mal, a necessidade da religião, o respeito versus intolerância... entre outros!
Actualmente há também o pretenciosismo da superioridade contemporânea... mas quer-me parecer que também isso foi igual em todas as contemporaneidades. Hoje, que levamos o planeta à exaustão, queremo-nos os campeões da ecologia, sensíveis aos eco-sistemas e respeitadores dos animais. Alguns sê-lo-ão de facto, outros hipócritamente por conveniência financeira; mas que novidade pode haver em tudo isso?!
Nos trabalhos complementares e de apoio à realização de "Estavas, linda Inês", tropecei nesta delícia que quero partilhar:

"... Que hábito criminoso, que disposição a verter o sangue humano contrai esse homem ímpio que abre com o cutelo de ferro a garganta de um vitelo e empresta sem emoção o ouvido aos seus mugidos! quem tem coração para degolar um cabrito enquanto ele solta vagidos semelhantes a uma criança, ou para se repastar com uma ave que alimentou com as suas mãos! Que distância lhe falta transpôr entre semelhantes actos e a verdadeira renúncia. Depois disso, a que caminho se abre?
............................
Que as vossas bocas não se sirvam senão com alimentos conquistados com doçura."

Publius Ovidius Naso (43 ac - 17 dc)

Pois é; escrito por quem nasceu antes de Cristo. A boa consciência não tem épocas... simplesmente nunca é dominante.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Continuidade e mudança...

Virtualmente completo o texto de Saskia (romance), é tempo de o deixar repousar e afastar-me, o suficiente para, lá mais para o fim do ano, lhe dar a definitiva conclusão...

Entretanto começarei os trabalhos de animação de "Estavas, linda Inês... " (animação 2D).
Agrada-me poder utilizar novos meios, e descobrir outros territórios, tanto quanto me saturam as certezas de quotidianos repetidos. Sobretudo, apraz-me o desafio e a dinâmica de encontrar as metodologias e técnicas particulares, que me permitam a criação de obras nesses novos meios, sem no entanto perder a coerência da linguagem, nem as características que a tornam pessoal.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Evolucionismo...

Ponderei inicialmente, a possibilidade de uma breve reflexão a propósito da ciência enquanto religião e da teoria da evolução como sua teologia. Mas não o farei... estranho só, que sobre tão fraca fundamentação, como é o espanto de um homem em face de algo que nunca vira antes, se tenha edificado tão magnífica construção.
A verdade é que mais ou menos 400 anos antes, os marinheiros portugueses tinham visto o mesmo, e até talvez mais, e não construíram com isso teologia alguma... mas também é verdade que revolução industrial estava ainda longe; e longe,por isso, a necessidade de certo tipo de legitimações.

Entretanto relembro Encompassing the Globe.
Merece repousadíssima contemplação o conjunto dos paineis de S. Vicente... e também a consideração da data da sua execução e o confronto com a pintura que se fazia na Europa nesse mesmo período.

domingo, 26 de julho de 2009

Conhecimento...

Um amigo, uma paisagem, um fenómeno, uma teoria…

Gosto de pensar no conhecimento como mapas dinâmicos, mutáveis, de ficções plausíveis, que resultam de leituras/medições , em maior ou menor número, dos objectos a que se referem.

Acontece que o próprio acto de medição, interagindo com o objecto medido, pode alterá-lo… provocando-lhe variações que não se encontrariam no objecto não medido.

O conhecimento é sempre inacabado.

O principal obstáculo a um conhecimento activo, é a redução das possibilidades aos paradigmas formais de narrativa, instituídos como legítimos pelas academias…

… face ao instituído toda a novidade é ilegítima!



sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ser ou não ser...

É espantosa a diversidade cultural que encontramos num tão exíguo rectângulo, quanto o é Portugal. Espantosa a unidade subjacente a tanta variedade; espantoso, o modo como deixaram os portugueses contágios de alma nos pedaços de mundo, que são povos, por onde foram passando.

Inacreditável, é que não haja Portugal nas “histórias da arte”.

Vergonha, que seja necessário virem estrangeiros “descobrir”, divulgar e valorizar, pequenos pedaços do nosso engenho. SÃO BEM-VINDOS. Mas fica a vergonha da indigência! De serem outros a fazer o que a nós compete.

Não haverá, entre tantos mestrados e doutoramentos, quem queira abrir caminhos em vez de repisar os que já há, sem novidade nem mérito? Nem entre as sumidades consumadas, com acesso franco à exposição mediática?

sábado, 4 de julho de 2009

Os Mapas...

Os mapas são uma invenção e uma necessidade dos homens.
Um mapa situa-nos; ajuda-nos a chegar aonde precisamos, mostra-nos onde estamos. Com um mapa, deixamos de estar perdidos.

Existem vários géneros de mapas; de vários tipos, com várias funções... uns servem para construir casas, outros para nos construirmos a nós próprios. Uns são feitos de palavras, outros de imagens e de sonhos, de emoções e pensamentos. De um modo ou de outro usamo-los todos os dias...
São mapas, o que nos guia na vida; e são-nos indispensáveis entre humanos!

Os mapas são objectos colaborativos; individualizam e definem cada pormenor, não para dividir, mas para os integrar íntegros, na constituição de um todo.
Na infância dos portugueses, o Mestre Afonso Domingues, soldado e arquitecto, insigne desenhador de mapas, desenhou em pedra a alma Lusitana. Morreu a provar a certeza da sua obra...
Há quem chame a isso orgulho, eu, chamo-lhe humildade e convicção. Com esse mesmo espírito, ele, e um punhado de outros Lusitanos, num fim-de-tarde de Agosto em São Jorge, em 1385, venceram Aljubarrota.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Inês de Castro...

Com o texto de Saskia em lapidação, e o díptico de pintura Anunciação muito perto de estar concluído, vi-me rendido a um projecto de animação 2D que se me impôs; e que não me é já possível não o concretizar. É verdade que em Fevereiro deste ano escrevi um monólogo sobre o tema de Inês de Castro, e num dos primeiros anos deste milénio realizei uma pintura a óleo sobre esse mesmo assunto... (raramente trabalho um tema numa única obra). Vai ser pois uma animação 2D integralmente produzida em computador, e tratará do assassinato de Inês de Castro...
"Estavas, linda Inês, posta em sossego,
........"

Entretanto, e para evitar outras intromissões semelhantes (finalizar trabalhos, deixa espaço mental... e físico, para que outros se imponham), ocupar-me-ei a ler... a noite de Poliphilo, (Hipnerotomáquia di Poliphili, de Francesco Colona) e o dia do senhor Leopold Bloom (Ulisses, de James Joyce) ...e tenho esperança que seja suficiente!

domingo, 21 de junho de 2009

A arte e as almas incertas...

Quando relia a Prática de oito figuras, de António Ribeiro Chiado deparei-me com esta fala, a propósito de trovador que precisava de chamar outros que o assegurassem da valia do que fazia.

a passagem:

.....................
E mais vos digo senhor
que cagueis no trovador
e cagai em sua veia
e cagai em seu primor
porque um homem capaz
para bem entre capazes
não há de chamar rapazes
que lhe vejam o que faz
se quer ter com o mundo pazes
......................

A natureza da linguagem empregue, e que não é corrente no autor, mostra o quanto detestava a incerteza criativa.

Também eu penso que o fazer da arte não é coisa para almas incertas. É, isso sim, território de quem, sabendo ao que vai, não se deixa embalsamar em ideias feitas, nem se cristaliza em posturas institucionalizadas, e não recusa nunca a capacidade de aquisição contínua de saber.
Porque como a arte não anda ao invés de todo o resto, têm os que a fazem, que saber-lhe a alma e conhecer-lhe o corpo. Que é como quem diz: técnicas e matérias...
Hoje, para tudo se reclama a necessidade de especialização,conhecimento profundo, domínio das matérias. E só para a arte se incentiva a mediocridade, a ignorância e a deriva, o não se saber o que se quer... ou o não se querer nada. E academizou-se esta postura.

A arte é o último reduto do espirito humano... e até os deuses são criação sua. Para vaidade e aquisição de estatuto social, há outros meios; assim como para a ocupação de tempos livres, há outros fazeres.
A arte é uma coisa muito séria. É a vida e a morte de alguns.

*

Para não deixar uma imagem falsa do que escrevia Chiado (que a linguagem da citação acima podia induzir), mais um pouco da mesma obra:

..........................
Ora notai de quantas maneiras
vivemos nesta prisão
uns se queixam sem razão
outros porque têm canseiras
uns ricos e outros não
uns morrem de inveja pura
outros medram pela língua
a outros nunca lhes mingua
fortunas e má ventura
outros medram por ladrões
outros por mexeriqueiros
e outros por línguareiros
e outros por afeições
e outros por demos inteiros
uns vão morrer por ter bem
outros gastam a fazenda
outros vivem com contenda
outros vão
e outros vêm
não há quem os entenda
..............................