quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Mitologia digital

 Há as mitologias clássicas, as mitologias urbanas e, agora, as mitologias digitais - ainda em formação.

Um exemplo da mitologia digital são os chamados "agentes de IA" agindo no meio digital por autodeterminação ou seja: como lhes apetece e dá na cabeça. Acontece que programas informáticos não têm nem vontade nem apetite nem cabeça.

De facto os ditos "agentes de IA" são avatares dos seus programadores (ou da entidade que servem). São dotados de determinados princípios e com finalidades concretas - manipulação de informação, geração de conflitos, sabotagem, ...

Um "génio" da programação poderia bem criar e inserir numa rede social um programa que destruisse todos os dados a que fosse acedendo. Então seria uma espécie de Joker e Batman do meio digital. Desse modo o ciclo mitológico densificava-se.

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Quanto à cibernetização de humanos será de utilidade conhecer as teorias de Skinner, B. F. e as experiências a que deu origem (segredo de estado...).

domingo, 13 de setembro de 2026

Inteligência Artificial e Responsabilidade

 Verifica-se, actualmente uma tendência generalizada de auto desresponsabilização, seja da sociedade - como um todo -, seja de cada pessoa particular. Um exemplo: se há uma catástrofe natural diz-se logo que a culpa é das alterações climáticas... por isso as dinâmicas ultra consumistas da sociedade e os comportamentos consumistas das pessoas continuam e mesmo acentuam-se, porque, enfim, o sacrossanto crescimento da economia não pode ser posto em causa e a culpa é só das alterações climáticas. Mas as ditas alterações climáticas não resultam exactamente desse tipo de comportamentos? Acontece que é sempre mais cómodo tirar a culpa de cima do próprio e atribui-la a qualquer outra coisa.

Ora o mesmo se passa com a Inteligência Artificial! que não é senão um conjunto organizado e hierarquizado de softwares específicos usando extensas bases de dados. No fundo, a I. A. não é senão uma ferramenta - de uso fácil - que executa os pedidos feitos. Então, se houver que atribuir responsabilidades elas terão de cair ou sobre os programadores - que lhe dão os princípios de funcionamento - ou sobre os utilizadores pelas intenções com que usam a I. A.. Se a Inteligência Artificial traça os perfis dos utilizadores das redes sociais, se a I. A., com base nisso estabelece métodos para reduzir os parâmetros de diversidade desses perfis a uma certa uniformidade desejada, seja de pensamento político, seja de comportamentos sociais, é porque ela foi programada - por alguém - para o fazer.

A Inteligência Artificial - como qualquer outra ferramenta - não faz nem bem nem faz mal às pessoas. É a finalidade com que as pessoas a usam que pode fazer bem ou fazer mal. É mais uma vez a desresponsabilização: a culpa não é das pessoas... a culpa é da existência da I. A.  

domingo, 17 de maio de 2026

Dinheiro e escravatura

 Uma instituição é uma entidade abstracta que os homens determinam e que investem de uma dada função. O dinheiro é uma instituição - não há dinheiro na natureza! O dinheiro é uma abstracção - mesmo se desformalizado em forma de moeda - cuja função é a mediação do valor das coisas para aquisição e venda. Um cacho de uvas ou um par de sapatos são coisas concretas e são, pela sua diferença, incomensuráveis. O dinheiro é o meio pelo qual se reduzem todas as coisas a um valor quantitativo, justamente na unidade monetária em vigor, tornando-as assim universalmente comensuráveis. O valor do que quer que seja mede-se em dinheiro. Então, enquanto entidade universal de valor á qual tudo pode ser reduzido, o dinheiro funda a economia. A economia torna TUDO em mercadoria, logo, com um determinado valor de transação, decorrente da sua raridade ou do seu excesso. Que os homens são transacionáveis é uma evidência quotidiana que se mostra desde logo na existência do salário (que paga a abdicação de parte do tempo da existência do assalariado que obedece ao que lhe é exigido)... mas também na compra e venda de atletas e de outros profissionais. O procedimento, aqui, é chamado eufemisticamente de "transferência" mas o que se transfere é justamente a detenção da propriedade sobre essa pessoa. A forma da sociedade de economia é o esclavagismo - por mais sofisticado que seja o seu exercício. A escravatura nao é coisa do passado nem é só a mera prática marginal de redes criminosas organizadas, ela é o modus operandi da sociedade de economia. Será menos violenta fisicamente hoje do que o foi no passado. Porém, antigamente, havia a possibilidade da fuga; havia na terra lugares onde, incógnito, um homem podia viver segundo os seus próprios princípios. Actualmente não existe um centímetro quadrado do planeta que não perteça a alguém e que não esteja sob contínua vigilância.   

quarta-feira, 11 de março de 2026

vergonha Americana /American shame

 

 "(...) forbiden the three of us to ever point a gun, even a toy, at any living thing."

(...)

 "He was not wounded, but he came back broken and brokenhearted; the atomic bombs dropped on Hiroshima and Nagasaki forever paled her patriotism. Nothing could justify so much death and destruction in a single moment, not even in retaliation. It remained one of his greatest sorrows, a uniquely American shame."

 

Bread of Angels - Patti Smith, Bloomsbury Publishing, 2025