Orgânica e "imperfeita" - segundo os princípios dos especialistas, Salomé é uma animação 2D que realizei no primeiro semestre de 2025, inteiramente em computador e cujas partes componentes (desenho, texto, som ) são todas de minha autoria.
SALOMÉ
Salomé é um nome da sedução.
A acção passa-se na hipocrisia à mesa de um banquete, na exibição à mesa de um restaurante, na
intimidade à mesa de um domicílio.
É uma mesa o lugar. São sem limite as variáveis circunstanciais: comédia de Cupido? capricho do
desejo? insofrimento da recusa? tudo isso junto na incontinência dos sentidos?
O tempo é o do arquétipo. Irrepetível... mas igual sempre.
Diferente na geografia iconográfica... não na essência - sempre a mesma.
Diferente sempre na invenção das máscaras com que mostra - ou oculta - a virtude do seu exercício.
Mistério do desejo: o próprio no outro - impossibilidade de ser; reflexo destruído sendo;
apagamento; extinção.
Feito está o mundo de paralelos espelhos. Sob a presunção de ser único repousa o reflexo do
outro... imitação que se imita.
Instaura-se o caos se... rejeitando a disposição de alinhamento, algum espelho exibe outras
paisagens.
II
Vem ao rio a água de outro tempo, refeita nova, pela paciente sofreguidão do querer vivido. Pela
paixão do que chamamos belo - só porque não possuído - e que a posse perverte primeiro e, depois,
mata.
Volteia a chama que atrai, volteia a mariposa em sua adoração. Sedutor e seduzido indiscernidos.
Espelhos recíprocos simetrizam incidentais a contradição aparente dos movimentos, a ambos dando
vitória... e seu reverso.
Gesto e olhar como palavras truculentas, escorregadias na metáfora dos possíveis, invertidas
mesmo como nos espelhos, as imagens. Tudo é tácito antes... e interpretação do próprio. À primeira
palavra inicia-se o acesso e breve está a entrada triunfal.
Urgência da posse.
Tempo da colheita.
Depois o mesmo olhar o mesmo sorrir outra coisa quererão dizer... mas só depois.
Cobre-se então de sombra a alegria, de cinza o ser. E do braseiro original já nem vestígios do fogo
na alma ou crepitação da garra na carne.
Ficção de infinitude... o inalcançável é o motor do desejo. Na consumação da posse o alcançado
extingue-se e nem motor nem desejo já, que emergem o mesmo. A rotina a instaurar-se. O preço da
posse é o funeral de si mesmo. O exílio da luz.
Nem solstício nem lua-cheia agora senão incertezas de terem sido. Calcária cristalização o preço
primeiro a pagar. Relógio sem ponteiros... corrupção o tempo. Aváro carrasco o cobrador.
Rigoroso e obstinado o lamento mas de fruto isento.
III
Desejo e acção não são separáveis. Se cindidos um deles será falso. Instala-se então a hipocrisia.
No zénite da alvura o desejo é todo cores, ficção que edifica deslumbrante a cegueira. Mas nas
arquitecturas de cristal a deslocação da sílica é inconstante, varia com a variação da emoção que a
cada momento domina, soberana sempre. Então pode ser longo o breve e momento o que
chamamos eternidade. Não pára nunca o movimento, descendente agora a sílica e a sombra
acumulam-se rasas, e é só ocaso escuro então, sem cor, sem alvura. Baça lama a sílica, estilhaço o
cristal.
E do desejo ardente a acender fogos e delírios só cinzas há agora. Ausência. Nem zénite nem
desejo. Nem sequer mesmo já a vontade do lamento.
Fim.
Visualizar o filme:
https://drive.google.com/file/d/1QPls7CI5IwuLwzFwkf2H4L64ckAsc154/view?usp=sharing
Français
Salomé
I
Salome c'est un nom de la sedution.
L'action se passeà la table d'un -banquete-, dans l'exibition à la table d'un restaurant, dans l'intimité
à la table d'un domicile.
C'est une table le lieu. Sont sans limite les variables circonstanciels: comédie de Cupidon? caprice
du désir? insufrance de la refuse? tout ça joint dans l'incontinence des sens?
Le temps c'est le de l'archétype. Irrepetible... mais egal toujours.
Différent dans la géographie iconographique... non pas dans l'essence - toujours la même.
Différent toujours dans l'invention des másques avec lesquelles montre - ou oculta - la virtue de son
exercice.
Mystére du désir: soi-même dans l'autre - impossibilité d'être; refléxe détrui -sendo- ; -apagamento-
; extinction.
Fait est le monde de parallèles miroirs. Sous l'assomption d'être unique repose le reflêxe de l'autre...
imitation que se imite.
Instauration du chaos se... rejetant la disposition de l?alignement, aucun miroir exhibe autres
paysages.
II
Urgence de la possession.
Vien à la rivière l'eau d'autre temps, refaite neuve, par la patiente sofreguidão du vouloir . Pour la
passion de ce qu'on appelle beau - seulement parce que non possédé - et que la possession perverte
d'abord et, puis, tue.
Volteia la flamme que attire, volteia la mariposa dans ça adoration. Séducteur et séduit
indiscernées. Miroirs réciproques symétrisent incidentels la contradiction apparent des
mouvements, aux ambos donnent victoire... et son revers.
Geste et regard comme paroles truculents, escorregadias dans la métaphore des possibles, inversées
même comme dans les mirois, les images. Tout est tacite avant... et interpretation du próprio. A la
premiére parole s'initie l'accès et bref est l'entrée triomphal.
Temps de la racolte.
Depuis le même regard le même sourrir autre chose vouleront dire... mais seulement aprés.
Couvre se alors de l'ombe la joie, De cendres l'être. Et du brasier original já nem vestiges du feu
dans l'âme ou crépitation des griffes dans carne.
Fiction d'infinitude...l'inobtenable est le moteur du désir. Dans la consumation de la posse o
alcançado s'éteindre et nem moteur nem désir dejá, que émerges le même. La routine a s'instaurer.
Le prix de la posse c'est le funeral de soi-même. L'exile de la lumiére.
Nem solstice nem pleine lune alors sinon incertitudes de avoirent être. Calcaire cristalisation le prix
premiére a payer. Horloge sans ponteiros... corruption le temps. Avare bourreau le cobrador.
Rigoureux et obstiné le lament mais de fruit exempt.
III
Désir et action ne sont pas separables. Se scindues un d'eux serat faux. S'instale alors l'hypocrisie.
Aux zénith de l'aubure le désir est tout couleurs, fiction que édifie deslumbrante la cecité. Mais
dans les architectures de cristal la deslocação de la silica est inconstant, varie avec la variation de
l'émotion que à chaque moment domine, souveraine toujours. Alors peut être long le bref et moment
ce qu'on appelle éternité. Ne s'arrête jamais le mouvement, descendent alors la silica et l'ombre
s'accumule rasas, et c'est seul ocaso foncé alors, sans couleur, sans alvura, Baça boue la silica,
estilhaço le cristal.
Et du désir ardent à allumer feux et délires seul cendres a alors. Absence. Nem zentih nem désir.
Nem même dejá la volonté du lament.
Visualization du film
https://drive.google.com/file/d/1QPls7CI5IwuLwzFwkf2H4L64ckAsc154/view?usp=sharing
English
I d'ont translate to english because i d'ont know cast in it the same poetic ambience the texte have.
To visualize the film:
https://drive.google.com/file/d/1QPls7CI5IwuLwzFwkf2H4L64ckAsc154/view?usp=sharing