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sábado, 3 de outubro de 2009

Amália...

... uma pequena pausa na arte digital; como que um passeio relaxante.
Há talvez dois anos atrás fiz o retrato de Amália, em vidro. Nessa altura pensava em editá-lo numa série de 50 múltiplos; as características técnicas complexas e a ingerência de outros projectos, foram, entre outros, motivos para que assim não fosse.
Fiz 5 exemplares... que, com excepção de um que foi vendido na altura, ficaram esquecidos no atelier. Acabei-os agora, por solicitação de um amigo...
Poderão ser vistos na galeria do CPS no Centro Cultural de Belém.

domingo, 30 de agosto de 2009



A alguns amigos, surpreende ou causa estranheza, o modo como migro entre as diversas técnicas e meios que uso para realizar os meus trabalhos; sem me fixar numa formula nem rentabilizar numérica e financeiramente, as soluções que vou alcançando.
Modos de ser

É só porque a mim me agrada mais a dinâmica da procura das soluções, do que a aplicação das formulas já testadas...




As sociedades precisam de ambos os tipos de atitude; maioritáriamente das posturas que garantem a contínuidade da ordem estabelecida, e a suavidade das mudanças, quando inevitáveis. Das atitudes diferentes precisa também, para não estagnar. Por isso as tolera... à distância e com contenção!















domingo, 26 de julho de 2009

Conhecimento...

Um amigo, uma paisagem, um fenómeno, uma teoria…

Gosto de pensar no conhecimento como mapas dinâmicos, mutáveis, de ficções plausíveis, que resultam de leituras/medições , em maior ou menor número, dos objectos a que se referem.

Acontece que o próprio acto de medição, interagindo com o objecto medido, pode alterá-lo… provocando-lhe variações que não se encontrariam no objecto não medido.

O conhecimento é sempre inacabado.

O principal obstáculo a um conhecimento activo, é a redução das possibilidades aos paradigmas formais de narrativa, instituídos como legítimos pelas academias…

… face ao instituído toda a novidade é ilegítima!



quinta-feira, 23 de julho de 2009

Saudade...

Saudade é coisa de almas nómadas...
...os ciganos andaluzes têm a interjeição Ay! para significar esse sentimento.

sábado, 4 de julho de 2009

Os Mapas...

Os mapas são uma invenção e uma necessidade dos homens.
Um mapa situa-nos; ajuda-nos a chegar aonde precisamos, mostra-nos onde estamos. Com um mapa, deixamos de estar perdidos.

Existem vários géneros de mapas; de vários tipos, com várias funções... uns servem para construir casas, outros para nos construirmos a nós próprios. Uns são feitos de palavras, outros de imagens e de sonhos, de emoções e pensamentos. De um modo ou de outro usamo-los todos os dias...
São mapas, o que nos guia na vida; e são-nos indispensáveis entre humanos!

Os mapas são objectos colaborativos; individualizam e definem cada pormenor, não para dividir, mas para os integrar íntegros, na constituição de um todo.
Na infância dos portugueses, o Mestre Afonso Domingues, soldado e arquitecto, insigne desenhador de mapas, desenhou em pedra a alma Lusitana. Morreu a provar a certeza da sua obra...
Há quem chame a isso orgulho, eu, chamo-lhe humildade e convicção. Com esse mesmo espírito, ele, e um punhado de outros Lusitanos, num fim-de-tarde de Agosto em São Jorge, em 1385, venceram Aljubarrota.

sábado, 30 de maio de 2009

...outra surpresa!

Na recente cruzada que empreendi com vista à reorganização do meu atelier, esta foi outra das obras a solicitar-me os últimos cuidados... parece-me que se interrompe por mais um largo tempo a dita racionalização do atelier. Por outro lado, fica mais uma escultura concluída!

O sonho erótico do preto Ribeiro, é uma escultura em pâte-de-verre.

Em 2004 realizei um conjunto de 13 gravuras, a propósito de outros tantos sonetos de Bocage. Na mesma altura esculpi um retrato do poeta (vidro e pedra) e também uma alegoria erótica, a propósito de Ribeirada... belíssimo poema erótico, mais encontrado com a imagem popularizada de Bocage, do que os referidos sonetos, de pendor filosófico e humanista (mas num homem grande cabem muitos mundos!).
Para aguçar a curiosidade, fica aqui o final de Ribeirada... (assim, tal e qual está impresso num exemplar datado de Bruxellas 1899, ortografia e tudo.)

...........................

Agora vós, fodões encarniçados,
Que julgais agradar às moças bellas
Por terdes uns marsapos, que estirados
Vão pregar c'os focinhos nas canelas:
Conhecereis aqui desenganados
Que não são taes porrões do gosto d'ellas;
Que não lhes pode, enfim, causar recreio
Aquelle, que passar de palmo e meio.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Re - encontros...

De tempos a tempos, alimento a utopia de pôr ordem no atelier... encho-me de determinação e começo. Mas logo a emersão de alguma obra, "perdida" entre a amálgama do que habita o meu atelier, e à espera das últimas atenções, me invalida a decisão inícial.
São sempre agradáveis estes reencontros... e no fim, mais uma peça fica definitivamente concluída; logo, um pouco menos de desorganização na oficina.


iesus hominum salvatore - escultura em vidro
Cristo crucificado (pormenor da escultura)



iesus hominum salvatore

sexta-feira, 6 de março de 2009

Clonagem intelectual...

Lês os jornais e admiras tudo do princípio ao fim
e se por desgraça vem um dia sem jornais,
tens de ficar em casa nos chinelos
porque nesse dia, felizmente,
não tens opinião para levares à rua.

Almada Negreiros - A Cena do Ódio



D. Quijote


A defesa da diversidade começa no incentivo à opinião própria, não necessáriamente diferente, mas gerada com base na ponderação pessoal dos factores conhecidos e em análise. Esse é, de resto, o gesto fundamental da liberdade.
É BOM ser um espírito livre!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

São Mamede...


É bom não rejeitarmos possibilidades, ainda que muito remotas, quanto ao que estamos ou não estamos dispostos a fazer. Até há uns meses atrás, estava completamente fora das minhas expectativas, usar o meu tempo e capacidades na produção de algo que não fosse obra original.

Porém, o desejo de alguém que eu muito respeitava, e que desapareceu da vida, foi razão suficiente para que, com o mesmo gosto e dedicação que emprego na concretização das minhas obras, realize agora uma quase réplica da imagem do S. Mamede da capela redonda de Janas.

António Clemente Bicho era o nome desse homem bom, simples e sábio, capaz de respeitar a diferença (mesmo que talvez não a compreendesse - o que torna o gesto ainda maior). Para ele, para acompanhá-lo no descanço eterno, o S. Mamede que ele conhecia e apreciava.

Deixam saudade os seres humanos bons.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Tágide...


Recentemente fui visitado por uma pequena escultura que fiz há aproximadamente 10 anos. Motivo: um pequeno acidente; a solicitar cuidados e reparação. Não sendo porém muito grave, e permitindo, embora com algum trabalho, a retoma do seu aspecto inícial, não lamentei o caso; e na verdade gostei de rever esta Eva/Tágide, em vidro água-marinha com inclusões metálicas.
Agora vai retomar a sua existência própria... sob os cuidados de alguém que lhe sentiu a ausência, e gostará de poder voltar a repousar o olhar na volatilidade da sua forma e na translucidez da cor.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Tolerância/Respeito...

D. Quixote - pedra e metal

As sociedades contemporâneas (ao menos nas democracias) caracterizam-se pelo convívio da diferença (de opinião, raça, religião...); assim, encontramos entre os conceitos políticamente correctos o de: Tolerância.

Ora acontece que tolerância significa: condescendência, indulgência, permissão, paciência. O conceito de tolerar, pressupõe, pois, uma atitude de superioridade (suporta/tolera isto ou aquilo...); aquele que é diferente é então pacientemente condescendido pelo que domina (...as atitudes que dominam). Neste aspecto, vai melhor o mandamento que diz, mais ou menos, ama o teu próximo como a ti mesmo - ou seja neste caso: respeita as particularidades dos outros como queres que os outros respeitem as tuas. Na tolerância há superioridade e domínio. Ser tolerado é ser inferior. Ora não me parece que alguém goste de se ver tolerado; nem vejo dignidade em tolerar. Só no Respeito há igualdade. Respeito sim! Sem pré-condições... direito e dever à diferença individual.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As obras de arte...


Enquanto objecto que se materializa em época e contexto específicos, a obra de arte permite, naturalmente, a elaboração de discurso sociológico sobre o tempo que a viu nascer. Mas isso, nem é exclusivo da obra de arte, nem tampouco é suficiente para legitimar um qualquer objecto, como obra artística. A capacidade de gerar discursos, sociológicos, políticos, ecológicos... não é característica dos objectos, é necessidade dos homens. Neste particular, o que pode diferenciar as obras de arte, dos restantes objectos, é a sua abrangência intencional, a atemporalidade e a riqueza semântico/simbólica; são o que lhes dá alma e existência autónoma.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Escultura em vidro

Trabalho a quente...

Entre as diversas técnicas que se usam para trabalhar o vidro, conta-se a do recurso ao maçarico. Este método explora a escala de plasticidade do vidro, e é particularmente utilizado com vidros bóricos. A adição de bórax à composição do vidro, baixa-lhe consideravelmente a temperatura de abrandamento e permite modelar o vidro por extrusão, torção... ou sopro, a temperaturas relativamente acessíveis. Faz-se isto mantendo as varetas de vidro na temperatura de trabalho, usando um pequeno maçarico. Na maior parte dos casos as peças são de pequena dimensão, porém, recorrendo às técnicas de assemblage, podem conseguir-se resultados absolutamente espectaculares. É uma técnica bastante praticável. O equipamento não é expensivo, e a necessidade de espaço irrisória.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Escultura em vidro...

Termomoldagem...

A termomoldagem é uma técnica de trabalho do vidro pouco complexa e relativamente acessível, embora essa facilidade não obste em nada quanto ao seu potencial e versatilidade criativa.
Basicamente o processo é simples: sobre um molde previamente preparado, coloca-se uma placa de vidro plano (por exemplo, o vulgar vidro de janela); em seguida coloca-se o conjunto no forno eléctrico (mufla para cerâmica). Submete-se então o vidro a uma temperatura de incremento da sua plasticidade, que varia de acordo com cada vidro e situa-se entre os 750 e os 900 graus centígrados, durante o tempo necessário à assunção da forma do molde, e que é muito rápida. Depois é deixar arrefecer normalmente, e espantar-se com o resultado!

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Escultura em vidro...


Coloração e preparação dos vidros


Uma das características muito particulares dos vidros é, a sua capacidade para receber colorações e inclusões.

Ao nível da coloração, para além da cor uniforme obtida por inclusão dos óxidos na composição primordial, existe igualmente a possibilidade da sua dispersão e suspensão na massa do vidro. Nas diversas variantes destas técnicas encontra-se um enorme leque de possibilidades, e entre elas, o uso de várias cores no mesmo bloco e também o rigor da sua localização.

Quanto às inclusões, se considerarmos o vidro como um liquido solidificado, não será difícil imaginarmos, o que poderá fazer-se inserindo “objectos” na massa de vidro a temperaturas de boa plasticidade; basta pensarmos num bloco de gelo e em tudo o que lhe podemos meter dentro. Na verdade há uma enorme panóplia de óxidos, folhas metálicas e outro género de matérias similares que podem usar-se como inclusão.
Imagine-se, por exemplo, todo o potencial destes procedimentos na criação medalhística.

Estes métodos são todos possíveis tanto nas técnicas de fundição do vidro, como nas de sopro e preparação na mármora.

domingo, 16 de novembro de 2008

Escultura em vidro...

Trabalho a frio

Genéricamente não há qualquer diferença entre trabalhar um vidro ou trabalhar qualquer outra rocha. Particularmente, porém, existem algumas características próprias; e embora isso não se passe só com o vidro (também há diferenças entre o calcário e o basalto, ou o granito), é verdade que neste caso essas particularidades são mais notórias. Sobretudo a facilidade de choque térmico, devido à fraca conductividade de calor.
Ainda assim, respeitando as características do material, faz-se com o vidro o que se faz com qualquer outra rocha, e muito mais até...

Talvez o maior impedimento ao uso generalizado dos vidros como suporte escultórico, esteja mais no desconhecimento e mentalidade retrógrada, do que em qualquer hipotética limitação da matéria.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

II Encuentro Internacional de Joyeria Creativa con vidrio -MAVA



Knight of love

O tema é o amor; é um colar.

A obra é sobre o amor e a dedicação que lhe votavam os Cavaleiros medievais, como paradigma. É uma joia, mas é sobre tudo uma escultura - escultura para ser usada. Os materiais que a constituem são todos reciclados, e reciclaveis. O Cavaleiro, é a reutilização de uma pequena peça "perdida" no atelier (devidamente retrabalhada); o restante... fragmentos de garrafas e metal. Até o assunto da joia/escultura está de acordo com o tema da exposição; Amor é reciclavel por definição.

sábado, 1 de novembro de 2008

M A V A - Museo de Arte en Vidrio de Alcorcón

Entre os dias 20 de Novembro e 17 de Dezembro de 2008, o M A V A - Museu de Arte em Vidro de Alcorcón (Madrid) apresenta a exposição internacional de escultura/joalharia integrada no II Encuentro Internacional de Joyeria Creativa com Vidrio.

Nesta exposição, que decorre sob o signo da - Reciclagem de Materiais -, e na qual 29 artistas de várias nacionalidades apresentam os seus trabalhos, estarei presente com a obra Knight of Love.

Mais informações em:

http://www.mava.es/component/option,eventos/idevento,36/lang,es/

sábado, 25 de outubro de 2008

Escultura em vidro...

O trabalho a quente

Embora se conheçam esculturas feitas na antiguidade, em vidro fundido (do Egipto por exemplo), a verdade é que esta técnica nunca teve grande divulgação; excepção feita ao que aconteceu no período de transição entre os séculos XIX e XX. A própria palavra – vidro, por força da associação aos produtos soprados que constituem a maior utilidade deste material, é normalmente sinónimo de fragilidade e inaptidão para a escultura. A realização de receptáculos contentores (copos, garrafas e afins) é sem dúvida a área de maior uso do vidro; mas não se esgota o seu potencial na produção destas utilidades. Os métodos de trabalho do vidro a quente são absolutamente espectaculares. Uma bola de vidro, incandescendo na ponta da cana, pode ser soprada, extrudida, modelada com recurso ao uso de pinças, …; quanto à matéria, pode usar-se como se colhe, mas também colori-la na mármora, formar-lhe bolhas, acrescentar-lhe inclusões metálicas. A questão está sempre na abordagem e intencionalidade. Qualquer que seja o método de trabalho, o limite das possibilidades situa-se mais na imaginação do artista, do que nas aparentes restrições da materia.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Escultura em vidro...


Diferença notável entre a escultura em vidro ou pedra, é a facilidade de obtenção da matéria; tecnicamente mais difícil e onerosa no caso do vidro.
Rapidamente nos apercebemos da facilidade que há em arranjar uma pedra para realizar uma escultura. Exceptuando casos, a maior parte das vezes beneficiamos dos “excedentes” das empresas de serração e transformação de pedra. Bem diferente, porém, é a realidade para o vidro. Primeiro, porque os “excedentes” das empresas de fabricação de vidro são literalmente cacos (…se bem que úteis para fundir!); depois, por não ser comum a produção de blocos de vidro massivos (inexistente de todo em Portugal).
O escultor de vidro tem de fabricar o seu próprio material. Esse facto torna mais difícil a tarefa, é verdade, mas também mais interessante. Na verdade, uma escultura em vidro começa na fabricação do bloco e decisão de todos os factores que definem a matéria (transparente ou opaco? Incolor ou colorido? Onde? Uniformemente ou com várias cores?)