Uma instituição é uma entidade abstracta que os homens determinam e que investem de uma dada função. O dinheiro é uma instituição - não há dinheiro na natureza! O dinheiro é uma abstracção - mesmo se desformalizado em forma de moeda - cuja função é a mediação do valor das coisas para aquisição e venda. Um cacho de uvas ou um par de sapatos são coisas concretas e são, pela sua diferença, incomensuráveis. O dinheiro é o meio pelo qual se reduzem todas as coisas a um valor quantitativo, justamente na unidade monetária em vigor, tornando-as assim universalmente comensuráveis. O valor do que quer que seja mede-se em dinheiro. Então, enquanto entidade universal de valor á qual tudo pode ser reduzido, o dinheiro funda a economia. A economia torna TUDO em mercadoria, logo, com um determinado valor de transação, decorrente da sua raridade ou do seu excesso. Que os homens são transacionáveis é uma evidência quotidiana que se mostra desde logo na existência do salário (que paga a abdicação de parte do tempo da existência do assalariado que obedece ao que lhe é exigido)... mas também na compra e venda de atletas e de outros profissionais. O procedimento, aqui, é chamado eufemisticamente de "transferência" mas o que se transfere é justamente a detenção da propriedade sobre essa pessoa. A forma da sociedade de economia é o esclavagismo - por mais sofisticado que seja o seu exercício. A escravatura nao é coisa do passado nem é só a mera prática marginal de redes criminosas organizadas, ela é o modus operandi da sociedade de economia. Será menos violenta fisicamente hoje do que o foi no passado. Porém, antigamente, havia a possibilidade da fuga; havia na terra lugares onde, incógnito, um homem podia viver segundo os seus próprios princípios. Actualmente não existe um centímetro quadrado do planeta que não perteça a alguém e que não esteja sob contínua vigilância.
domingo, 17 de maio de 2026
Dinheiro e escravatura
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