domingo, 13 de setembro de 2026

Inteligência Artificial e Responsabilidade

 Verifica-se, actualmente uma tendência generalizada de auto desresponsabilização, seja da sociedade - como um todo -, seja de cada pessoa particular. Um exemplo: se há uma catástrofe natural diz-se logo que a culpa é das alterações climáticas... por isso as dinâmicas ultra consumistas da sociedade e os comportamentos consumistas das pessoas continuam e mesmo acentuam-se, porque, enfim, o sacrossanto crescimento da economia não pode ser posto em causa e a culpa é só das alterações climáticas. Mas as ditas alterações climáticas não resultam exactamente desse tipo de comportamentos? Acontece que é sempre mais cómodo tirar a culpa de cima do próprio e atribui-la a qualquer outra coisa.

Ora o mesmo se passa com a Inteligência Artificial! que não é senão um conjunto organizado e hierarquizado de softwares específicos usando extensas bases de dados. No fundo, a I. A. não é senão uma ferramenta - de uso fácil - que executa os pedidos feitos. Então, se houver que atribuir responsabilidades elas terão de cair ou sobre os programadores - que lhe dão os princípios de funcionamento - ou sobre os utilizadores pelas intenções com que usam a I. A.. Se a Inteligência Artificial traça os perfis dos utilizadores das redes sociais, se a I. A., com base nisso estabelece métodos para reduzir os parâmetros de diversidade desses perfis a uma certa uniformidade desejada, seja de pensamento político, seja de comportamentos sociais, é porque ela foi programada - por alguém - para o fazer.

A Inteligência Artificial - como qualquer outra ferramenta - não faz nem bem nem faz mal às pessoas. É a finalidade com que as pessoas a usam que pode fazer bem ou fazer mal. É mais uma vez a desresponsabilização: a culpa não é das pessoas... a culpa é da existência da I. A.  

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